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25/10/2006 13:10
Intimidade
Antes de eles nascerem alguém tinha me alertado para a idealização do amor materno. Que não seria essa coisa instantânea e fácil de propaganda de fralda. Que, como em qualquer outro amor, seria algo conquistado, construído dia após dia. Cheguei na sala de parto devidamente prevenida, mas vou te dizendo que comigo foi exatamente como está no script. Minha paixão pelo João e pelo Pedro, que era já platônica com eles dentro de mim, virou absolutamente real no momento em que eu os vi e os ouvi chegando. Me vi instantânea, verdadeira e irremediavelmente apaixonada por aquelas duas coisinhas pequenas, sujas e que choravam rouquinho.
O que muda com o tempo, e talvez fosse disso que me falavam, é que a relação vai ganhando intimidade. No primeiro encontro, como num namoro novo, você não sabe nem muito bem onde colocar a mão. Eles também não sabem como chegar no seu peito. Fica tudo meio estranho eles sem saber onde se encaixar, você com medo de machucá-los.
Mas se você prestar atenção, eles vão te dando todos os sinais de que você precisa para entendê-los. Você aprende que eles chupam a mãozinha quando têm fome, que se espremem com força quando têm cólica e que fazem biquinho quando tem cocô a caminho. Eles te mostram como gostam de mamar, como gostam de dormir, quais os carinhos preferidos. E claro, cada um ensina suas próprias peculiaridades: que o João soluça depois de mamar, que o Pedro vai regurgitar se você ficar mudando ele de posição demais.
Com o tempo, a relação vai ficando mais fácil, e o amor vai ganhando intimidade e profundidade. Você vai se apaixonando cada vez mais, e tudo fica mais relaxado, mais gostoso, mais intenso, mais forte. E olha que eles ainda não têm nem dois meses.
enviada por Pequena
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