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23/08/2006 09:22

Eu me desenvolvo e evoluo com meus filhos



Eles ainda nem nasceram, mas já me ensinaram um bocado de coisas.

- Que sentir dor nem sempre é ruim. Eles apertam minha bexiga, meu estômago, meu pulmão. Às vezes dá pra sentir direitinho um dos dois caminhando pela barriga e imprensando tudo o que está lá dentro. Mas nem é ruim. Na verdade, é ótimo.

- Que estar doze quilos acima do seu peso pode não ter nada demais. Só cansa quando a perna começa a inchar. O melhor é encontrar as pessoas que ainda te dizem que você está super magra.

- As informações puerperais básicas: o que é um cueiro (paninho pra enrolar o bebê), um culote (calça comprida de bebê, com pezinhos), uma concha para seio (com essa, eu choquei: é um plástico que você põe em um peito enquanto amamenta com o outro. Vale dizer: no meu caso, totalmente desnecessário).

- Que existe uma quarta dimensão. Essa descoberta foi profunda. Aprendi quando me disseram para fazer uma ecografia 4D. Eu só conhecia três dimensões até então.

- Que hidroginástica não é coisa de loser. É que eu tenho preconceito contra hidroginástica. Quer dizer, tinha. Meu maior medo na época da natação era ser confundida com uma tia da hidro. Ok, é mesmo um esporte mulherzinha. Mas isso não é necessariamente uma coisa negativa. O que me leva para o próximo quesito.

- Que ser mulherzinha é legal. Eu nunca pensei que fosse, mas é. Não carregar as compras do supermercado, acordar e encontrar o café da manhã totalmente pronto (todos os dias), fazer hidroginástica e passar mais tempo conversando do que malhando. Eu sempre achei isso o fim do mundo. Mas nem é! É maior legal!

- Que as pessoas nem sempre são legais com as grávidas. Algumas são ótimas – e te oferecem água, cadeira, abano, o que for. Outras, fingem que não percebem a sua barriga de um metro de diâmetro quando você se aproxima do caixa preferencial. E é preciso reagir contra essas pessoas!

- Que a nossa sensação de controle da vida é absolutamente ilusória. Na verdade, essa é a maior lição da gravidez. Todo o seu esforço para fazer o neném crescer, para ganhar ou perder peso, para ficar bem disposta ou para não inchar, por exemplo – tudo isso pode ser totalmente inócuo. Nada disso depende exclusivamente da sua vontade. A gravidez está fora do seu controle porque a natureza está fora do seu controle - assim como a vida. No fundo, no fundo, a gente sempre soube disso. Mas passa a vida inteira fingindo que não.

enviada por Pequena






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